Outro dia eu tava assistindo no Youtube o especial Por Trás da Fama [da Multishow], que destacava toda a trajetória do Cazuza, e cheguei à conclusão de que bem provavelmente ele foi a maior estrela do nosso Rock. Não vivi aquela época, apesar de me identificar bastante com ela, mas a poesia e os pensamentos presentes naquelas músicas representam perfeitamente aquela geração de artistas livres, engajados, inconseqüentes e inesquecíveis. A música que ecoava dali parecia ter mais impacto e expressão, não é à tôa que sobreviveu ao teste do tempo. Na obra de Cazuza isso fica muito mais evidente depois dele ter assumido publicamente que estava doente. A partir daí as letras ficaram mais fortes e mais realistas, como a de Ideologia.
Esqueça os exageros, as polêmicas e os vícios, não importa se Cazuza era ou não era um modelo a ser seguido, o que interessa é o legado do seu catálogo e, principalmente, sua importância como letrista. A faixa, composta em 1988 depois do extenso tratamento em Nova York, desabafa poeticamente os questionamentos sobre morte e sociedade que percorriam a mente do cantor. Frágil, o "garoto que ia mudar o mundo" agora nota que seus "hérois morreram de overdose" e que seu "prazer agora é risco de vida". O lema "Sexo, drogas e rock 'n' roll" desce pelo ralo. Não é possível conviver com ele o tempo inteiro, a vida não te dá essa opção. Criticando as tantas ideologias, Cazuza acabou criando a sua própria, e a de muitos brasileiros ao longo daquela década.

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